• Adélia Galantini

Íntegra da pesquisa sobre cadeia produtiva da moda mineira divulgada pelo Governo do Estado e pela C


Estudo inédito encomendado à Fundação João Pinheiro revela perfil e desafios do setor

O Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) realizou a mais ampla pesquisa já feita no estado sobre a cadeia produtiva da moda. O estudo, encomendado à Fundação João Pinheiro, mapeou as atividades industriais dos setores: têxtil, de confecção, indústria química de fabricação de fibras artificiais e sintéticas, preparação de couro, fabricação de calçados, joias e bijuterias. Foram identificados, ao todo, 10.094 estabelecimentos mineiros que atuam nesses setores, empregando, em 2014, o total de 127.500 pessoas, o que corresponde a 15,2% do emprego da indústria de transformação no estado. A pesquisa completa pode ser acessada aqui.

A moda apresenta grande importância para diversos municípios mineiros, já que a participação desse segmento na indústria de 135 cidades é superior à média do estado. Entre elas, destacam-se Dores de Campos, localizada no território de desenvolvimento das Vertentes, com 63,8% de sua produção industrial vinculada ao setor, e Nova Serrana, no território Oeste, com o percentual de 60,3%. Essa cidade, produtora de calçados, é o principal município em termos do Valor Adicionado da Moda no estado, registrando R$ 406.141,00, o que correspondeu, em 2013, a 12% do Valor Adicionado total de Minas Gerais (R$ 3,3 bilhões).

A análise do mercado de trabalho constatou que 98,5% das empresas de moda mineiras são estabelecimentos de micro e pequeno porte. E 75,4% dos negócios do setor estão concentrados em cinco territórios de desenvolvimento do estado: Mata, Metropolitano, Norte, Oeste e Sul.

Os setores

A participação dos setores na produção de moda no estado é distribuída da seguinte forma: 68,7% (setor têxtil e vestuário), 28,6% (couros e calçados) e 2,7% (joias e bijuterias).

Dentro do setor têxtil e de vestuário, destaca-se a produção de peças de roupas, que corresponde a 44,5% do total. Apesar do percentual relevante, o setor têxtil e de confecções vem apresentando queda na participação, compensando um aumento da produção de couros e calçados, com crescente projeção das atividades de curtimento, fabricação de tênis e calçados sintéticos.

Já a produção de joias e bijuterias, apesar de menor participação na moda mineira, faz do estado o maior do Brasil em exportação desses produtos. Minas Gerais foi responsável por 34,8% das exportações brasileiras nesse segmento em 2014 — um setor que teve ampliação de 4,28% no País entre os anos de 2010 e 2014 e chegou ao volume exportado de US$ 314 milhões.

Panorama internacional

A China possui grande parte do mercado mundial dos produtos da moda e é o principal parceiro comercial do Brasil nessa área. São exportados para os chineses produtos de curtimento e preparação de couro e fios de fibra de algodão (24,4% desse produto destinou-se ao mercado da China em 2014). Por outro lado, são comprados dos chineses 59,1% das peças de vestuário importadas no Brasil.

Minas Gerais segue os números nacionais, repetindo o cenário de exportação de matéria prima e importação de manufaturados. Essa tendência comercial, também com destaque para as negociações com a China, pesa especialmente sobre o setor de confecções no estado, que é o principal empregador na cadeia estadual da moda e recebe a maior quantidade de produtos estrangeiros.

Desafios

A pesquisa constatou que Minas Gerais possui reservas de alto valor potencial produtivo, mas com um processamento relativamente baixo. Essa realidade demonstra a necessidade de investimentos tecnológicos em máquinas, equipamentos e processamentos químicos.

Além disso, a diretora de Incentivo à Indústria Criativa da Codemig, Fernanda Machado, destaca que a cadeia produtiva da moda exige não apenas aporte técnico, mas também desenvolvimento das suas conhecidas vocações. “A vantagem competitiva de Minas Gerais, conhecida pelo design e pelos trabalhos manuais, pode ser a informação aliada à criatividade. E, por isso, vamos investir na capacitação dos profissionais do setor. Acreditamos que o estado pode melhorar muito o índice de participação no mercado nacional da moda, que hoje corresponde a 7,7% da produção nacional”, ressalta.

A necessidade de formação dos profissionais foi revelada no estudo. Apenas 2% dos trabalhadores dos estabelecimentos de moda em Minas Gerais têm curso superior. O salário médio pago pelas empresas de moda é de R$ 1.052,22, abaixo da renda média nacional da moda no Brasil (R$1.412,00) e da renda média total do estado (R$1.913,00).

Minas de Todas as Artes

O fomento da Codemig à moda integra o Minas de Todas as Artes – Programa Codemig de Incentivo à Indústria Criativa. A iniciativa estratégica busca fomentar o desenvolvimento de novos negócios que gerem empregos, renda e riquezas para o estado. Até o fim de 2018, serão investidos mais de R$ 20 milhões em editais de fomento e fortalecimento, com iniciativas de valorização de setores como gastronomia, audiovisual, design, moda, música e novas mídias. A Indústria Criativa constitui a cadeia produtiva composta pelos ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual como insumos primários.

Outras informações em:

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